Qual o objetivo do Ensino Médio?

Os jovens que alcançam hoje as séries do ensino médio vivem um dilema: “Qual o objetivo do ensino médio? Por que estou aqui: para alcançar uma vaga em uma universidade ou meu lugar no mercado de trabalho? Para quem a escola está me preparando: o mercado ou a universidade?”

Ensino Médio hoje – um modelo decadente na educação

Português, Literatura, Redação, Matemática, Física, Química, Biologia, Geografia, História e Inglês/Espanhol – estas são as dez disciplinas que o aluno deve encarar durante seus três anos no ensino médio. Mas… por quê? Será que nossos alunos sabem por que é tão importante estudar cada uma delas e como elas ajudarão em sua formação?

Eis o que a revista Veja de 2 de maio de 2007 comenta sobre isso (artigo “O ensino médio congestionado”):

Um aluno fez uma breve descrição do ensino médio. Segundo ele, quando cursava o fundamental, estudava coisas interessantes. Caminhando pelas ruas ou pelos campos, via no mundo real o que havia aprendido na escola. Ao galgar o médio, olhando na rua, não via nada do que havia aprendido. Era tudo abstrato e distante do mundo real. Estava frustrado.

O ensino médio é algo bastante interessante, atuando (ou deveria atuar) como um ponto aonde o aluno é preparado para tomar uma decisão: entrar para o mercado de trabalho, buscar um curso técnico ou visar um curso superior.

Entretanto o aluno não está sendo preparado para isso: em vez disso, o máximo que percebemos é que o ensino médio “empurra” uma “informação padronizada” em nossos jovens, ao mesmo tempo em que busca treiná-lo para o vestibular, ou “prepará-lo para a vida”, como alguns ainda ousam denominar.

Por experiência própria posso dizer que somente nos últimos anos em meu curso superior é que percebi que tive muitas dificuldades pela deficiência que há na educação do ensino médio.

Um modelo de ensino fragmentado

O primeiro problema é o modelo de ensino adotado, onde o aluno é levado a simplesmente decorar conceitos, fórmulas, textos e outras informações. Quanto melhor “memorizador” ele for, melhores serão suas notas e, conseqüentemente, “melhor aluno” ele será. Mas… podemos chamar este de bom aluno?

Memorizar não é aprender.  Aprender é… aprender! Aprender é você assimilar a informação de forma a fomentar sua cognição, associando não somente aquela informação, mas várias outras associadas àquela a fim de melhor adaptar-se às diversas situações.

Quando alguém aprende que altas temperaturas podem queimar sua pele (ao encostar-se em uma panela quente, por exemplo), ele irá associar essa informação não somente com panelas, mas todas as possíveis superfícies quentes, então todo objeto que ele sabe que pode ser exposto ao fogo ou altas temperaturas pode causar-lhe ferimentos.

Entretanto, o ensino fragmentado, onde cada assunto é tratado como um assunto à parte, totalmente desconectado das outras disciplinas e, muitas vezes, até mesmo de outros conteúdos da mesma disciplina, não pode levar o aluno a despertar seu interesse por aprender e formar novos pensamentos em torno do mesmo. Decorar é sua missão, tão somente só.

Se o aluno compreendesse como poderia tornar-se um cidadão e profissional melhor ao assimilar como conhecimentos de língua portuguesa e de matemática podem ajudar-lhe bastante em negociações, com certeza ele poderia ver estas com outros olhos. Cabe então aos professores servirem de elo e facilitar a formação deste vínculo.

O conhecimento de geografia vinculado ao da história garante ao aluno uma compreensão muito melhor formada do mundo em que ele vive. Poderíamos continuar e mostrar como a combinação de tantas disciplinas poderia ser benéfica.

Um possível objetivo – preparar REALMENTE o aluno para o que ele encontrará no mundo

Sejamos sinceros: quantos alunos saem do ensino médio prontos para lidar com dinheiro ou com as pressões do trabalho? Nosso jovens sabem realmente o que significa liderança, trabalho em equipe e busca por qualidade? Quais os desafios que eles encararam e como isso pode ajudá-los a encarar os novos desafios?

Nossas escolas dizem que “formam jovens para a vida”, mas não é muito bem o que parece. Nossos jovens não são instigados a pensar realmente, mas tão somente a repetir aquilo que ouvem.

Engraçado que disciplinas como Filosofia e Sociologia foram instituídas com o intuito de suprir essas necessidades. O que aconteceu? Tornaram-se exercícios de mais decorebas, onde alunos decoram nomes, datas e citações de grandes filósofos ou sociólogos. E onde está o espaço para discutir os problemas encontrados em nossa sociedade?  E onde está o exercício do desenvolvimento do raciocínio lógico?

Voltando à pergunta que lancei no início deste item, é óbvio que para saber lidar com dinheiro o aluno precisa de alguma educação financeira. É óbvio que para saber o que é liderança, trabalho em equipe e busca por qualidade ele deveria ter alguma noção de gestão e empreendedorismo. Enfim, é óbvio que já sabemos as respostas para tantas perguntas, mas elas não são aplicadas na escola, motivo pelo qual nossos jovens não são preparados para o que encontrarão pela frente.

Ultimamente, tenho percebido que um dos grandes entraves para o sucesso profissional de uma pessoa é porque ela nunca ouviu conselhos e conceitos importantes para conseguir alcançar. O ensino médio não o faz e muitas vezes o ensino superior esquece de fazê-lo.

Acredito que está na hora de pressionarmos as autoridades competentes por uma reforma escolar realmente eficaz, de forma a permitir que os alunos possam aprender aquilo que ainda hoje não conseguem aprender na escola: a se tornarem bons cidadãos, excelentes profissionais e amantes dos desafios que a vida nos proporciona.

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