Profissão – Desenvolvedor de Jogos

Mais uma boa tarde a todos!

Preocupados (como sempre somos 🙂 ) em trazer um pouco mais de informações a todos a cada dia, hoje gostaria de falar sobre uma das profissões que ultimamente a mídia tem divulgado com ênfase e que, até alguns anos atrás, seria loucura um profissional brasileiro dizer que era este seu ramo de atuação: o desenvolvedor de jogos.

Como muitos aqui já sabem, eu atuo bastante nesta área e não me arrependo: é prazeroso saber que, no fim das contas, meu trabalho serve para entreter muitas outras pessoas. Parodiando uma célebre frase: “eu podia tá matando, eu podia tá roubando… mas tô aqui desenvolvendo jogos”. 🙂

Muitos ficam na dúvida sobre como essa área é: alguns acham que é tão fácil que nada mais é do que diversão esta profissão. Outros acham que é algo tão “do outro mundo” que preferem nem mesmo arriscar-se para conhecer um pouco. Acredito que ambos os extremos/opiniões não são muito condizentes com a nossa realidade.

Bem, antes de falar disso, deixe-me apresentar um pouco do que sou e faço na área para que possam deduzir se sei ou não do que estou falando.

Eu na indústria de jogos

Estudo a área de desenvolvimento de jogos (ou gamedev, como preferíamos chamar antigamente) desde 1999. Em 2001 entrei para o curso de graduação em Ciência da Computação e comecei a freqüentar a Programadores de Jogos (hoje, Programadores e Desenvolvedores de Jogos – PDJ).

Em 2003 tornei-me um dos administradores da PDJ e iniciei vários movimentos a fim de melhorar a mesma, trazendo mais conteúdo e oportunidades aos seus membros.

Em fins de 2004 começo a trabalhar na área de jogos em Flash como programador e game designer.

Em 2007, fundei o Instituto dos Jogos, um site focado em educação à distância na área de desenvolvimento de jogos. Nesse mesmo ano, graduei-me no curso de Computação.

Nesse período, já desenvolvi dezenas de jogos em flash, alguns poucos multiplayer, muitos envolvendo bons conhecimentos em matemática, física e estatística.

Bem, acredito que agora você já saiba um pouco mim, agora vamos falar sobre o que interessa: a indústria de jogos e as possibilidades que há para cada um.

Começando…

Em primeiro lugar, quero desmistificar a idéia de que o trabalho de um desenvolvedor de jogos é só diversão. Não é bem assim, se fosse, todo mundo estaria fazendo isso de graça.

No desenvolvimento de um jogo há várias empresas e profissionais envolvidos. Temos a empresa desenvolvedora, a empresa publicadora, a transportadora, a distribuidora, as vendedoras, etc. Se não fosse essa grande rede de companhias, seria muito difícil o desenvolvimento de tantos títulos de jogos excelentes que abordam as prateleiras das lojas diariamente.

Quanto aos profissionais envolvidos, dependerá de qual o seu papel na produção/desenvolvimento do jogo: se estiver relacionado à área de programação, será um programador, sem especialidades ou específico de uma das muitas áreas: programador de shaders, de inteligência artificial, de redes, e por aí vai.

Se a área for arte gráfica, teremos artistas gráficos 2D, onde encontramos os pixel artists (artistas que criam sua arte baseada na manipulação dos mapeamentos de bits que compõem uma imagem digitalizada), os ilustradores, os artistas conceituais e os texturizadores. Encontramos também os modeladores 3D, responsáveis pela criação de objetos e cenários (obviamente, podemos encontrar modeladores 3D especializados em cenários, em personagens, em objetos, etc).

Na parte sonora, geralmente encontramos os responsáveis pelas dublagens, os compositores de trilhas sonoras (muitas bandas hoje possuem suas músicas liberadas em jogos) e compositores de efeitos sonoros.

No projeto em si do jogo teremos os game designers (que significa literalmente “projetista de jogo”), responsáveis por criar uma ótima experiência para o jogador. Eles podem ser especializados em game writing (roteiros/narrativas para jogos), level design, game interface design, etc.

No gerenciamento do projeto e administração da produção, encontramos pessoas como o project leader, cargo esse ocupado geralmente por um dos líderes de uma das áreas supracitadas. Além dele, temos também o produtor, que é o profissional que fica entre a equipe desenvolvedora e o pessoal da empresa publicadora, intermediando o processo a fim de que cada lado saiba que seus anseios estão sendo atendidos e que vai auxiliando os desenvolvedores naquilo que for necessário.

E desenvolver jogos: É difícil? É divertido?

Acredito que a resposta mais sincera é: um pouco de ambos. Como já disse anteriormente, se fosse somente diversão, se fosse muito fácil, todo mundo criava seus próprios jogos e pronto.

Mas jogos envolvem muitas coisas. Como programador, por exemplo, posso lhe indicar que tenha uma excelente base em matemática e física, conhecimentos em estatística, domine bem lógica de programação e projeto de algoritmos, conhece bem as linguagens com que deseja trabalhar, etc.

Perceba que isso é o que eu indico para quem quiser seguir a área de programação! Se sua área for outra, arte gráfica, por exemplo, vou indicar-lhe o domínio de várias ferramentas que possa empregar em seu dia-a-dia (ilustração, pixel art, texturização, modelagem 3D, conversores de formatos de arquivos, renderizadores 3D, etc.), bem como um bom estudo em anatomia (humana, animal, etc) em projeto de ambientes, etc.

Veja bem: o que você precisa saber varia de acordo com a área, mas sempre será uma área vasta suficiente para exigir-lhe bastante estudo com dedicação e seriedade. Se você realmente se interessa por esta área, não se preocupe: se você levar a sério, com certeza você vai encontrar oportunidades, pois o mercado SEMPRE vai depender de bons profissionais. 😉

Apesar de exigir muita atualização (isso é mais vantagem do que desvantagem, sob meu ponto de vista), é também uma área divertida, que envolve muita criatividade a fim de criar algo digital que pareça vivo, lúdico.

Você testará seu jogo e poderá sentir o mesmo prazer que eu tenho em dizer a cada projeto: hey, fui eu quem fez isso! 😀

Além disso, você não precisa cair de cabeça nessa área já visando o desenvolvimento direto como profissional – sempre aconselho que você vá estudando e comece com ferramentas geralmente indicadas para quem faz disso um “hobby”.

Apesar de não poder comercializar os seus jogos, nela, o uso delas irá acelerar o seu aprendizado em algumas coisas, pois irá remover certos “empecilhos tecnológicos” para quem está começando e pouco conhece a área.

Bem, vou ficar por aqui agora. Em outra oportunidade continuarei e falarei mais sobre tantas outras coisas que devem estar borbulhando em sua mente. 😉

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