Profissão: Desenvolvedor de jogos 2 – O Retorno!

E aqui estamos de volta, com mais um artigo sobre um assunto que já tratamos anteriormente, no artigo Profissão – Desenvolvedor de Jogos, mas que levantou tantas dúvidas que decidi que estava na hora de escrever um novo artigo, só para respondê-las.

Antes de mais nada, se você se interessa pelo assunto e ainda não leu Profissão – Desenvolvedor de Jogos, aconselho que o faça agora, antes de ler este artigo, ok?

Bem, se você já leu aquele artigo, vamos agora começar!

Atualizando meu histórico

Bem, só para deixá-los a par sobre minha atuação na indústria de jogos, nos últimos meses (sim, se você quer conhecer toda a história, precisa ler o artigo anterior, não vou escrever tudo de novo aqui!) trabalhei especificamente em um jogo que foi lançado na Dinamarca chamado Netstation. O site da versão dinamarquesa é http://www.n.dk já a versão brasileira é http://www.bandittown.com.br mas ainda não foi lançada – e nem sei quando será, pois meu contrato foi “encerrado” no mês passado e não mais estou participando diretamente do mesmo.

Netstation trata-se de um mundo isométrico onde jovens podem interagir uns com os outros, conversando ou por meio de algumas opções de atividades sociais que já estão disponíveis, além de jogar partidas single player ou multiplayer de jogos como Ludo, Tetris, Back Gammon, Puzzle e Othelo. Um bom começo, não? 🙂

Sim, esse foi o primeiro MMOG (massive multiplayer online game) em que participei (na verdade, liderei, gerenciando todo o projeto, participando como programador e às vezes fazendo um “bico” de artista gráfico – eta vidinha complicada!) e tenho muito a agradecer por essa oportunidade.

Qual o meu objetivo agora? Primeiro, quero fazer uma completa reestruturação no Instituto dos Jogos. Estive bastante ocupado desenvolvendo jogos e isso me levou a interromper o único curso que se encontrava ofertado no Instituto dos Jogos e, agora, decidi reerguê-lo com um cuidado bem maior. O IDJ pode ter um papel fundamental na orientação de novos estudantes e profissionais da indústria de jogos e acredito que o sacrifício é válido. 🙂

Bem, agora vamos responder a algumas perguntas que recebi…

Tenho 14 anos e não sou bom em matemática ou física, mesmo assim posso atuar na indústria de jogos?

Esta foi a pergunta de Carlos. Carlos, antes de mais nada, é um prazer poder falar com você sobre esse asunto que também me interessa muito!

Agora, vamos à sua dúvida: como eu comentei no artigo original, conhecimentos sólidos em matemática e física são muito importantes para quem atua na parte de programação, mas há várias áreas que participam do desenvolvimento de um jogo e não somente a programação.

No Brasil, os papeis mais encontrados em uma empresa de jogos são o do programador e do artista gráfico, este último podendo ser para arte gráfica 2D ou para modelagem 3D. Claro, há também profissionais que trabalham na composição sonora, mas geralmente tal atividade é terceirizada para um estúdio especializado. Fora do Brasil, temos o game designer, cujo papel pode ser especializado em game writer (escritor), level designer, UI designer, etc, temos também o produtor e, por fim, o pessoal dos testes (alpha tester).

Algumas empresas no Brasil já começam a adotar o papel do game designer também, mas infelizmente, ainda são poucas.

Mas enfim, viu aí a “multidão de oportunidades” à sua disposição? Se você sente que não se encaixa tão bem para o trabalho de programador, então não há problemas, há várias outras oportunidades, mas se você realmente quiser trabalhar como um programador de jogos, então… você ainda tem bastante tempo! Você é bem jovem e se desejar pode mudar o “não sou bom em matemática e física” para um “sou o próprio Isaac Newton” com muita dedicação e perseverança, ok? 😉

O que devo cursar para ser um desenvolvedor de jogos?

Nosso amigo Gonçalo, de Portugal, tem essa dúvida. Gonçalo, infelizmente não conheço muito bem a situação dessa área e da academia (isto é, universidades e faculdades) em relação a isto, mas posso explicar-lhe baseado na realidade brasileira…

Em primeiro lugar, não há um curso específico para “desenvolvedor de jogos”, lembre-se que esta é uma denominação comum a todos aqueles que participam da produção de um jogo: programadores, artistas gráficos 2D, modeladores 3D, game designers, sound designers, etc.

Sendo assim,  o mais certo é sabermos primeiro qual a sua área de interesse para então sabermos a respeito. Aqui no Brasil, bem como em qualquer lugar do mundo, creio eu, o melhor caminho para se formar um bom programador é por meio de uma graduação na área de computação (Ciência da Computação, Engenharia da Computação, Sistemas de Informação ou curso similar). Se possível, uma pós-graduação na área de algoritmos ou de engenharia de software.

Para artistas gráficos 2D ou modeladores 3D, geralmente são cursos de designer gráfico ou um curso de artes com ênfase em arte digital. Se a grade de seu curso não for completa o suficiente para abordar tudo o que você precisa (por exemplo, você quer ser modelador 3D, mas nem mesmo há disciplina de modelagem 3D), então uma boa ideia é cursar também uma pós-graduação que consiga suprir tal deficiência. Aqui no Brasil, há pós graduações focadas em modelagem 3D, por exemplo!

No caso de sound designers, geralmente é uma formação na área de música, mas pouco conheço sobre essa área, então me limitarei a dizer somente isso.

Para game designers, entretanto, a coisa já “muda de figura”: não há um curso específico, focado somente em game design, de graduação ou pós. Há alguns cursos livres (o Instituto dos Jogos, por exemplo, vai voltar com o seu curso de Introdução ao Game Design revisado e ampliado), cursos de extensão, mas desconheço um curso superior aqui focado nessa área.

Outra coisa a se observar é que mesmo sem uma graduação é possível atuar no mercado, principalmente como freelancer, onde a experiência conta mais que um diploma, muitas vezes. Entretanto, vale lembrar que desenvolver uma boa formação em programação (por exemplo) sem seguir um curso é algo mais complicado do que possa parecer!

Não gosto de matemática, mas gosto muito de escrever roteiros. Como entrar na indústria de jogos?

Sim, este é nosso amigo Kellvyn. Ele se interessa muito pelos roteiros dos jogos, pelas narrativas, mas não possui muito interesse na parte de cálculos. Para mi m, Kellvyn, seu interesse é bastante claro: você gosta de Game Writing, uma especialização da área de Game Design.

Um Game Writer, ou escritor de jogos se preferir, é uma pessoa que apresenta um bom conhecimento sobre criação de roteiros, narrativas e diálogos e geralmente possui papel importante na produção de jogos de adventure, RPG e estratégia. Na verdade, jogos de FPS como Half Life & CIA também se utilizam bastante de tal tipo de profissional.

O único pequeno grande problema é que, se analisarmos somente o mercado brasileiro atual, perceberemos que o número de game designers atuantes já é pequeno, imagine então o número de game writers. 🙁 Claro, sempre comento que não devemos focar somente o mercado atual, pois a projeção é de que haja crescimento na indústria nos próximos anos!

Além disso, lá fora há boas oportunidades em tal área e você pode conquistar essas oportunidades por lá. O mais importante para tal é:

  • Possuir um bom domínio da língua inglesa – se quer competir no mercado mundial, precisa falar a “língua mundial”!
  • Possuir sólidos conhecimentos em game writing – você pode conseguir isso lendo livros sobre o assunto (compre-os por sites internacionais, como Amazon e Ebay) e participando de projetos de jogos interessantes. Mesmo que sua participação não seja remunerada, se isso ajudar-lhe a destacar seu nome como um game writer, isso o ajudará a  conquistar novas oportunidades;
  • Atuar na indústria em papeis paralelos, como articulista para uma revista ou blog especializado em jogos, por exemplo!
  • Estar sempre atento a oportunidades no Brasil (espero que o Instituto dos Jogos seja um importante canal para isso a partir de junho) e no mundo (GamaSutra é para isso 😉 ).

Pretendo também criar um curso introdutório para quem quer ser game writer, mas está na “fila de cursos a serem criados”. 🙁

E qualquer dúvida, não se intimide, pode nos perguntar aqui outra vez!

Meu desempenho escolar é fraco, tenho chances na indústria de jogos?

E a última pergunta de hoje é de Lucas. Ele comenta que vem tendo um desempenho escolar um pouco fraco desde o 4º ano e quer saber se ainda possui chances de entrar nessa indústria. Obviamente, a melhor resposta para isso é: sim, mas você precisa rever sua situação o quanto antes!

A área de jogos exige principalmente criatividade e disciplina. Criatividade porque estamos falando de criar algo divertido, bem como porque há muitos desafios que são únicos em cada jogo. Disciplina porque quanto mais você avançar nessa indústria perceberá que os projetos de jogos tornam-se complexos: deixamos o “jogo feito por somente uma pessoa em um fim de semana” e passamos ao “jogo feito por uma centena de profissionais especializados em cinco anos”!

Nunca é tarde demais para corrigirmos possíveis falhas em nossa postura e criarmos nossas oportunidades. Se alguém lhe diz que é impossível, meu caro, é porque ele mesmo já desistiu de seus sonhos. E não sou eu quem vai lhe dar um banho de água fria desse jeito. Não eu, que queria desenvolver meu próprio jogo e consegui; queria entrar na indústria de jogos e consegui; queria criar um blog que fosse lido por muitas pessoas e consegui! Se você possui um objetivo, corra atrás, meu camarada! E estamos aqui justamente para ajudá-lo! 😉

Ufa! Este artigo está encerrando agora, com cerca de 1.600 palavras! Tomou um baita tempo, mas acredito que vai ajudar muita gente que poderia ter as mesmas dúvidas de nossos colegas aqui, sendo assim, valeu o esforço. 😉

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