Pão e circo… ou política e circo?

Bom dia a todos.

Quem me conhece de verdade sabe que sempre falei o quanto eu me admiro pelo fato de que, ainda hoje, a política do pão e circo da Roma Antiga tem dado certo. Aos que não conhecem, deixem-me apresentar rapidamente do que se trata.

Na Roma Antiga, devido ao êxodo rural, muitas pessoas abandonaram o campo para tentar a vida na cidade, mas esta também não conseguia oferecer condições a todos. Isso tudo estava virando um caos e poderia levar a rebeliões civis. As autoridades, temendo o pior, traçaram um plano: comida e diversão deveriam ser acessíveis a todos, assim, eles resolviam as necessidades mais urgentes das pessoas e as alienavam, fazendo com que elas não percebessem o principal: que suas vidas continuavam inúteis, sem sentido.

Desta forma, reduziram os impostos sobre o trigo, fazendo o preço do pão cair bastante. Promoveram também muitos espetáculos, atrações capazes de entreter a população. E foi assim, que matando a fome das pessoas e divertindo-as, o governo foi fazendo “das suas” por séculos.

Na verdade, ainda hoje vivemos a política pão e circo da Roma Antiga: muitas vezes, em vez de buscar uma solução real para o problema, como formas de oferecer mais empregos ou condições para a população, nosso governo decide que mais um “bolsa-alguma-coisa” será uma boa iniciativa e depois apresentar os novos dados onde, levando em consideração os valores das bolsas distribuídas, mostram que o número relativo de pessoas na “faixa da pobreza” reduziu. Caramba, mas bolsa não é salário, é benefício temporário, como se pode levar isso em consideração???

Pois é, mas nós caímos nisso. Moro no Nordeste e aqui é onde mais percebemos o papel do “circo”: durante o ano inteiro, para período festivo há um sem-número de shows patrocinados ou apóiados pelo governo. O negócio cresceu a tal ponto que no período de São João (que agora já é TODO o mês de junho) uma das maiores festas ocorre quase todos os dias: o forroCaju.

Veja bem, não sou contra shows. Eu gosto deles, sério! Eu sou contra você utilizar-se disso para “tapar o sol com a peneira”, tentando ocultar o fato de que poderiam estar procurando mais educação, mais saúde ou trabalho para a população, mas não… para que oferecer isso quando é só pôr todos a dançar e pronto, já está tudo bem?

Mas ainda não é sobre isso que quero discutir hoje! Eu quero falar é da nova regra, a “política e circo”. Não entendeu o que eu quis dizer? Vou lhe ser bem direto: candidatura a político hoje está parecendo fanfarra, circo, palhaçada, algo sem seriedade alguma!

Fiz a acusação, tenho agora que apresentar as provas, não é? Pois bem, lá vão!

Você assiste o horário político? Pois bem, quando aparecem nomes de candidatos como Miriam Ribeiro, José Serra, Eduardo Nascimento, etc. Tudo bem, eu acredito que parecem bastante sérios (e olha que nem vi quais são as plataformas, os objetivos delas!).

Mas hoje, já temos candidatos com nomes como Chico Buchinho, Jabá (que se você não conhece, fique sabendo que se refere a um tipo de carne como é conhecida aqui no Nordeste), China da Borracharia, e por aí segue, com nomes até que se referem a apelidos que em alguns lugares dão às partes íntimas do ser humano!

E o pior é: a população vota! Sinceramente, não me importa nem qual é a plataforma desse candidato. Por melhor que seja, já começou ruim – pela imagem que ele transmite. Eu quero que tratem política com seriedade, então tenho que escolher alguém cuja plataforma é séria, mas que também tenha um nome sério.

Perceba que em momento algum critiquei a plataforma deles: não conheço, não posso opinar. Mas posso, sim, criticar a imagem que eles estão escolhendo. Eu duvido que se eles estivessem concorrendo a uma vaga numa grande empresa para comandar dezenas de empregados eles se apresentassem com esses nomes. Mas e por que para “comandar” uma cidade, estado ou país, com milhões de pessoas, eles acham que há nada demais? Para mim, há sim!

Nossas cidades e estados serão espelho de quem estiver no governo. Se colocamos pessoas que possam não estar levando realmente a sério a política, como esperar que nossas vidas melhorem?

Aliás, política já está sendo um circo há muitos anos: vocês perceberam que a cada ano que passa mais e mais pessoas vem buscando entrar na política por meio de cargos de vereador e deputado?

Significa que mais pessoas estão se interessando por política? De jeito algum! Algumas pessoas que eu conheço candidataram-se nos últimos anos e falaram-me que contavam com meu voto. Dei-lhe meu sorriso para não perder a amizade, mas meu voto não é lixo para eu votar em alguém que sei que nunca teve tino para política. Posso até votar em alguém que não tenho certeza de que vai fazer bem à população, mas votar em alguém que tenho certeza de que não vai fazer bem, aí sim é loucura!

Se você nunca se importou com política, se você é do tipo que nunca pensou em ajudar o próximo, se eu nunca lhe vi discutindo política de forma séria, não venha “me pedir meu voto”, pois vai ganhar o meu sorriso e um “com certeza”, mas não vai passar disso.

Uma pergunta bem simples: para coordenar uma equipe eu preciso ter o técnico em administração. Para administrar uma empresa é importante ou interessante a graduação em administração. Para administrar uma grande empresa como uma multinacional é importante muitos e muitos anos de experiência. E por que para administrar uma cidade, estado ou país isso tudo não é importante? E por que na hora de administrar o dinheiro público não há um maior cuidado quanto a quem vai estar lá no governo? É isso que não compreendo!

Sou da área de computação. Para concorrer uma vaga com salário de R$ 3.000,00 eu tenho que fazer provas de matemática, computação e atualidades gerais, disputando contra outras dezenas de pessoas por uma ou no máximo duas vagas. Quando o salário inicial sobe para R$ 5.000,00 eu tenho que fazer também provas de línguas (língua portuguesa e língua inglesa), apresentação de títulos (se tenho graduação, mestrado, doutorado, quais cursos fiz, etc.), entrevistas e outras provas.

Entretanto, para concorrer na política, a salários que vão facilmente de R$ 4.000,00 a R$ 8.000,00, você não precisa ter estudado para o cargo, você não precisa ter tempo algum de experiência, você nem mesmo precisa ter uma boa plataforma ou boas intenções para melhorar as coisas (se bem que, “de boas intenções, o inferno está cheio”). Você somente precisa se candidatar e sair correndo atrás de ludibriar várias pessoas, dizendo-lhes o quanto precisa de seu voto para conseguir fazer algo pela cidade.

Vamos fazer a prova de fogo: o próximo que chegar a fazer isso contigo, pergunte-lhe: até agora, antes de ser político, o que você já fez pela nossa cidade? Se ele não tiver nada para lhe dizer, então ele não tem muito o que fazer depois de ser político. Quem quer ajudar, tentar mudar de alguma forma, tira, por exemplo, do próprio bolso para ajudar na reforma de uma creche ou orfanato porque vê que há necessidades, vai atrás de ONGs que estejam fazendo doações e delas participa na parte de coordenar as doações para garantir que quem precisa receba mais rapidamente os benefícios. Mas… Você vê nossos políticos fazerem isso? NÃAAAAAOOOO… Por que eles só podem pensar em fazer algo pelo povo depois que estão embolsando seus R$ 10.000,00 todo mês e usando o dinheiro público para supostamente melhorar algo… Ei, espere, mas engraçado que eles passam lá os quatro anos e quase não vemos o que foi feito!

Trabalho desenvolvendo jogos. Em quatro anos eu consigo fazer muitos, muitos jogos em Flash! E por que não vemos muitos projetos votados, aprovados, empregados e melhorando a vida da população nesses mesmos quatro anos? Eu sei que são coisas bem diferentes, mas eu faço meu trabalho sozinho e eles são muitos, muitos mesmo, para coordenar suas atividades, e não conseguem.

O problema é que, hoje, política é sinônimo de poder sem responsabilidade. Enquanto nós cairmos como patinhos na política do “política e circo”, não há jeito, vamos continuar a reclamar dos mesmos políticos e votando neles quatro anos depois outra vez…

No dia de ir votar, lembre-se: “eu faço a diferença”. Não importa quem ganhe no final, faça sua parte. Uma hora teremos pessoas conscientes o suficiente para e, então, vamos conseguir mudar esse quadro.

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