Cuidado com as promoções

Você é do tipo que perde o controle sobre si mesmo ao ler a palavra “promoção” ou “desconto” em uma vitrine? Sempre corre para aquela pechincha e sai sentindo-se “o esperto” por ter conseguido aquele super-produto com um mini-precinho? Cuidado! Você pode estar enganando-se!

Muitas pessoas são “consumidoras de promoções compulsivas”, isto é, ao ver aquele produto com aquele preço que parece imbatível, não perdem a oportunidade, correm até lá e compram. A pessoa até pode acreditar, em primeira instância, que fez um bom negócio, mas poderá estar cometendo um dos vários erros que, em geral, muitas pessoas “viciadas em compras” cometem.

Compras sem necessidade

Um dos maiores erros que você pode cometer é acostumar-se a adquirir um produto mesmo que você não precise dele.

Um exemplo: alguns anos atrás, em um shopping de minha cidade, vi uma loja vendendo diversas bússolas.

Achei-as interessantes e acabei por levar uma bússola por um preço razoável.

Eu poderia ter feito um grande negócio, se não fosse por somente um detalhe: eu não pratico esportes envolvendo trilhas e não executo nenhum tipo de atividade que faça com que eu realmente precise de uma bússola.

Moral da história: hoje, nem sei mais aonde ela se encontra. E o dinheiro gastado, obviamente, não retornará mais. 🙁

Como em minha vida essas “compras desnecessárias” não são rotina, isso não me afetou financeiramente, mas tomemos agora como exemplo uma pessoa com renda líquida mensal de R$ 1.000,00. Se ela acostumar-se a adquirir produtos em promoção, principalmente do gênero alimentício ou eletrodomésticos, facilmente ela envolverá de 15 a 30% de seus rendimentos com esse tipo de compras. Diante deste quadro, a pergunta é: é saudável envolver até 30% de seu rendimento na aquisição de produtos que no momento você não precisa, principalmente quando a sua renda líquida não é alta?

Uso do cartão de crédito e endividamento

Tão ruim quanto comprar desnecessariamente, o uso do cartão de crédito dá-lhe uma falsa impressão de que está economizando, quando, na verdade, você está concordando em parcelar ou pagar posteriormente aquele valor corrigido por juros e outras taxas que a loja possa ter incluído.

Aqui, entra novamente um exemplo bem simples: uma bolsa, no valor de R$ 50,00 no cartão, ou R$ 40,00 à vista.

Alguém poderia dizer: a diferença é muito pouca, são somente R$ 10,00. Errado! A diferença é muito grande, pois corresponde a R$ 10,00!

Quer ver só? Imaginemos novamente uma pessoa com poder aquisitivo de R$ 1.000,00 mensais. Vamos supor que ela adquira 25 produtos diferentes, cada qual por R$ 40,00.

Se ela adquiriu pagando à vista, o valor a ser pago totalizou os R$ 1.000,00 que ela tinha. Pronto, sua conta ficou no zero a zero: nem sobrou dinheiro, nem ficou devendo.

Agora, observemos outra pessoa com o mesmo rendimento mas com outra perspectiva financeira. Objetivando não gastar com essas comprar o dinheiro daquele mês e, assim sendo, “ter mais capital” (na verdade, ela terá mais dívidas), decidiu comprar os 25 itens no cartão para pagar em 30 dias. Faça as contas e você perceberá que ela se comprometeu a pagar R$ 1.250,00 no mês seguinte. O problema é que ela somente ganha R$ 1.000,00 – como fará para pagar os R$ 1.250,00?

Simples, ela não pagará, não de uma vez.

Em um cenário bastante utópico (onde essa pessoa não possui gastos com aluguel, contas de água e luz, etc.), ela consegue pagar R$ 1.000,00 de sua dívida. Quanto ficou para o mês seguinte, R$ 250,00? Errado! Lembre-se que serão cobrados juros (para facilitar, trabalharemos aqui com 7,7% ao mês) e IOF (cerca de 0,38%) sobre esse valor!

Fazendo novamente algumas contas, perceberemos que os R$ 250,00 transformar-se-ão em R$ 270,20, ou seja, mais R$ 20,20 foram acrescidos à dívida dessa pessoa.

Perceba também que a dívida dela terá uma tendência extraordinária a crescer, pois nessa conta nós desconsideramos várias outras coisas que obrigatoriamente são gastos mensais e que a pessoa provavelmente colocará no cartão outra vez. Se ela tiver aprendido com a “pancada financeira” que levou, provavelmente irá fazer o possível para gastar no máximo uns R$ 500,00 no cartão de crédito a fim de, em dois a quatro meses, ver-se livre dessas dívidas.

Infelizmente a maioria das pessoas não percebem isso, continuam a gastar mais em cartão de crédito como se pudessem e somente muito, muito tarde, percebem o erro que cometeram.

As pessoas muitas vezes são movidas por essas mentiras criadas pelo comércio, mentiras essas denominadas promoções e descontos. Outro dia mesmo minha esposa viu algum item que estava em promoção e que precisávamos e disse: “veja querido, está em promoção”, e eu disse: “que ótimo, mas não temos dinheiro agora”. “Mas amor”, ela retrucou, “mas está em promoção, depois o preço vai subir de novo”, e eu disse “se está em promoção, então eles estão desesperados para vender, não se preocupe que o preço mais tarde cairá novamente”. Eu acertei: o preço caiu ainda mais, consegui juntar o dinheiro para comprar à vista aquele produto e ainda hoje continuo mantendo meu objetivo de efetuar somente as compras internacionais e as de emergência (pagar inscrição em um evento quando está no último dia de inscrição e não há onde ir para pagar de outra forma – sempre acabo deixando para a última hora) no cartão de crédito.

Cuidado com a validade e qualidade do produto

Outra coisa a se tomar cuidado é quanto à validade e qualidade do produto: se está em promoção, é porque eles querem livrar-se logo do produto.

No caso de produtos perecíveis, verifique se os mesmos estão muito próximos de terem suas datas de validade vencidas, o que acarretará em prejuízos financeiros bem como pôr em risco a saúde de sua família.

No caso de outros produtos, verifique também quanto à qualidade do mesmo, emissão de nota fiscal, termos de garantia, etc.

Lá vai um outro exemplo das “furadas” em que já me meti: em Belo Horizonte há um “shopping Oiapoque”, onde vendedores oferecem mercadorias de todos os tipos. Na época, o preço dos MP3 players de 1 GB lá estavam muito em conta e, por isso, decidi comprar dois, um para mim e outro para minha esposa.

Ao chegar em casa e testar, descobri que os mesmos estavam adulterados e possuíam memória de somente 256 MB, um quarto da que eu esperava encontrar lá!

Fui reclamar com a vendedora, troquei-os e testei lá mesmo, mas como era de esperar, esses também eram de 256 MB.

Infelizmente fiz essas compras no período em que estava prestes a voltar para minha casa, não pude ir outras vezes lá e tive que ficar com meus dois MP3 players de “1 GB”.

E para completar minha alegria, como tudo o que acontece na área de tecnologia, o preço caiu radicalmente e, seis meses depois, as lojas especializadas já ofereciam MP3 players de 1GB de verdade com garantia e nota fiscal por preços menores do que aquele que paguei.

Depois disso, nunca mais comprei em loja com proveniência de produtos duvidosa, sem muita garantia ou suporte técnico, etc. – o barato pode sair muito caro (que infelizmente foi o meu caso).

Dicas para quem quer comprar de forma consciente, aproveitando as promoções sem cair nas armadilhas

  • Periodicamente, faça uma lista contendo todos os bens, produtos e serviços que você pretende adquirir em um dado intervalo de tempo. Aproveitando que já estamos quase no fim deste ano, você pode criar uma lista comentando sobre tudo o que você precisa adquirir até o final de 2009, enumerando o porquê precisa bem como o nível de prioridade;
  • Prefira economizar um pouco, juntar algum dinheiro e comprar à vista a comprar no cartão. No início é complicado, até porque nós possuímos um desejo consumista imediatista, ou seja, queremos e tem que ser para ontem. Mas após dominar esse desejo e conseguir compras os primeiros produtos desta forma, você perceberá que o que você economiza em uma compra o ajudará a tornar mais fácil adquirir o próximo produto com menor impacto em sua vida financeira;
  • Dê prioridade a comprar aquilo que é realmente necessário, não aquilo que você gostaria de ter. Após algum tempo fazendo isso, você perceberá que sua situação financeira melhorará muito e você poderá flexibilizar um pouco essa postura;
  • Quanto mais caro for o produto, mais pesquisas você deve fazer sobre seu preço no mercado antes de fazer a aquisição;
  • Lembre-se que o barato pode sair caro, portanto cuidado com aquelas oportunidades onde o preço é reduzido, mas a qualidade do produto também é!

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